Cenários Econômicos para 2022

As principais projeções e expectativas para o próximo ano

Humberto

Humberto Bocayuva • Comunicação

• 05 minutos de leitura

Dia 01/12/2021 realizamos um webinar com renomados especialistas do mercado nacional e internacional para debater em detalhes sobre macroeconomia e possíveis cenários para 2022. 


Então, para entender um pouco mais sobre as projeções e expectativas para o próximo ano, a gente preparou um conteúdo especial para você! 


O cenário econômico global não é dos mais promissores para o ano que vem, sem uma perspectiva de alívio significativo da pandemia e com previsão de inflação maior em vários países. No Brasil, onde a inflação já se desviou da meta, o aumento dos preços de bens, produtos e serviços contamina as expectativas para o ano. “Este é um momento de muita incerteza não só no mercado doméstico, mas também no internacional, em razão da pandemia e dos seus desdobramentos”, disse a economista do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getulio Vargas Silvia Maria Matos, que participou do nosso evento.


Na live, que também contou com a participação de Otávio Costa, member and portfolio manager da Crescat Capital, a pesquisadora do IBRE falou sobre a conjuntura econômica do país em tempos de pandemia e os cenários para 2022.


Em sua apresentação Silvia Matos ressaltou que se esperava uma desaceleração da economia neste segundo semestre, uma vez que houve um crescimento acelerado por conta das transferências de renda no período mais crítico da pandemia, o que fez com que setores da indústria e do varejo fossem muito beneficiados. “Mas já se sabia que haveria uma perda de fôlego. E agora que se esperava um protagonismo maior do setor de serviços, com a flexibilização do distanciamento social, infelizmente tivemos mais choques internacionais em termos inflacionários e um processo inflacionário mais severo no Brasil”.


Isso, segundo a pesquisadora, afeta muito mais o setor de bens, devido ao problema de falta de insumos e faz com que haja uma desaceleração mais pronunciada desse segmento do que seria o natural em um processo de normalização da economia. “Os efeitos inflacionários devido a todos esses choques faz com que o cenário para 2022 seja mais prejudicado”, diz ela. 


Para Silva Matos, aquelas atividades que estão mais relacionadas com o PIB devem ter alguma contração no ano que vem. “Mas eu não tenho uma visão negativa do PIB em geral. É preciso destacar é que há setores que ainda têm potencial de crescimento, principalmente setores relacionados a commodities, como o agropecuário, que podem se beneficiar. O agronegócio como um todo representa um ¼ da economia brasileira, então há um fator importante que segura o resultado de 2022, embora aqueles segmentos mais relacionados com emprego e renda realmente possam ser mais prejudicados”, finaliza.


Na avaliação de Otávio Costa, da Crescat Capital, o mercado americano também deve registrar um aumento da inflação em 2022. Segundo ele, os Estados Unidos e outros países desenvolvidos estão passando por uma mudança de regime macroeconômico que tem muita relação com três pilares inflacionários que podem ser visualizados para o próximo ano.


Um deles, apontado pelo economista, refere-se ao fato de o poder de consumo da população mais pobre americana ter aumentado a um nível nunca visto na história dos EUA. “Comparado, por exemplo, com o período logo após a crise do subprime de 2008, quando a “riqueza” da população mais pobre chegou a cair próximo de 84%, dessa vez verifica-se o maior aumento da história”, observa Costa. 


Outro fator que deve ter influência na inflação em 2022 diz respeito aos salários em relação ao número de pessoas empregadas nos EUA. Depois de uma queda drástica dos salários no período no período entre o final dos anos 1980 até próximo de 2018, ele diz que está ocorrendo uma mudança, com aumento de salários em vários segmentos da economia, o deve gerar um problema inflacionário.  Costa aponta outro problema, mas que, segundo ele, pode ser visto com uma grande oportunidade, que se refere ao ciclo de investimentos de produtores de commodities, que na verdade vem caindo a níveis que não se vê há muito tempo, de aproximadamente de 34%. “Isso está gerando um problema de falta de infraestrutura dentro de recursos naturais, em que houve um longo período de investimento no mercado de tecnologia em detrimento do mercado de commodities.”


Por fim, ele cita a questão da imprudência fiscal e monetária que se verifica há algum tempo nos EUA. “Quando se agrega a conta fiscal junto com a conta corrente com relação ao PIB, ou seja, o que os EUA importam e exportam e quanto que o governo vem gastando, verifica-se uma das piores proporções, de até 3 pontos percentuais abaixo do que o registrado no pior momento da crise de 2008. Isso acaba forcando um aumento do endividamento, o que cria um problema inflacionário”, finaliza. 


Caso queira assistir na íntegra este webinar com as economistas Silvia Matos, Coordenadora do Boletim IBRE FGV e Otávio Costa, Member and Portfólio Manager at Crescat Capital, acesse o canal da Quod do YouTube.